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Ministério da Cultura ePetrobrasapresentam

Títulos, grandes desfiles e fatos históricos

A história dos campeonatos inclui vitórias, empates, desfiles memoráveis e apresentações que permaneceram na memória do público. Consulte também a cronologia de 1932 a 2026.

Desfiles que marcaram a história

Explore a memória de desfiles que marcaram a história, inclusive os que não venceram a apuração.

Perderam o título, entraram para a história

A lista de campeãs conta uma parte da história do Carnaval carioca. A outra parte aparece nos desfiles que perderam na apuração e, ainda assim, continuaram presentes nas conversas de sambistas, torcedores, compositores, pesquisadores e integrantes das escolas. Alguns ficaram pela força do samba. Outros, pela reação da arquibancada, pela coragem do enredo, por uma imagem específica, por uma solução cênica ou pela sensação de que o julgamento oficial não encerrou a importância daquele desfile.

Em 1983, o Império Serrano voltou à Avenida depois do campeonato histórico de “Bumbum Paticumbum Prugurundum” com “Mãe Baiana Mãe”. O desfile, desenvolvido por Renato Lage a partir de enredo de Fernando Pamplona, homenageou a baiana como figura central da escola de samba, da cultura popular e da formação do Carnaval. A Imperatriz Leopoldinense e a Beija-Flor dividiram o título, enquanto o Império terminou em 3º lugar. A colocação, porém, não diminuiu a presença do samba de Aluízio Machado e Beto Sem Braço no repertório carnavalesco. “Mãe Baiana Mãe” permaneceu como uma das composições mais lembradas da década.

Em 1984, ano de inauguração do Sambódromo, a Vila Isabel apresentou “Pra Tudo se Acabar na Quarta-Feira”, de Fernando Costa. O enredo olhava para quem trabalha na construção do desfile e para o fim da festa depois da apuração. A escola ficou em 5º lugar na segunda-feira e não disputou o Supercampeonato, vencido pela Mangueira. Ainda assim, o samba de Martinho da Vila atravessou o resultado oficial. A obra seguiu cantada porque reconhece, com precisão e afeto, o trabalho de escultores, pintores, bordadeiras, carpinteiros, costureiras, figurinistas, desenhistas, artesãos, componentes e demais trabalhadores da escola.

Em 1985, a Caprichosos de Pilares levou para a Avenida “E por Falar em Saudade...”, de Luiz Fernando Reis e Flávio Tavares. O desfile usou humor e crítica social para comentar o Brasil no fim da ditadura militar. A escola terminou em 5º lugar, mas o samba conquistou forte adesão popular e ajudou a firmar a imagem da Caprichosos como uma agremiação capaz de tratar política com graça, ironia e comunicação direta com o público.

Em 1989, a Beija-Flor apresentou “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia”, de Joãosinho Trinta. O desfile levou para a Sapucaí uma crítica dura ao abandono social e ficou marcado pela imagem do Cristo censurado, coberto por determinação judicial. A Imperatriz Leopoldinense foi campeã com “Liberdade! Liberdade! Abre as Asas Sobre Nós”, e a Beija-Flor ficou em 2º lugar. Mesmo sem o título, “Ratos e Urubus” se tornou uma referência para discutir censura, desigualdade, ousadia estética e os limites entre julgamento técnico e impacto público.

Em 1995, a Portela apresentou “Gosto que me Enrosco”, de José Félix. O desfile retomou a história da folia carioca, passando por ranchos, blocos, cordões, sociedades carnavalescas e personagens populares ligados à formação do Carnaval. A escola ficou em 2º lugar, atrás da Imperatriz Leopoldinense. O samba de Noca da Portela, Colombo e Gelson seguiu lembrado por muitos portelenses e admiradores da escola, especialmente pela relação direta com a memória da festa e com a própria identidade carnavalesca do Rio de Janeiro.

Em 1997, a Mocidade Independente de Padre Miguel apresentou “De Corpo e Alma na Avenida”, de Renato Lage. A escola transformou o corpo humano em tema de desfile e construiu uma apresentação marcada por soluções visuais de grande impacto, entre elas a alegoria do coração. A Viradouro venceu aquele Carnaval, e a Mocidade ficou em 2º lugar. O desfile permaneceu entre os mais lembrados da escola pela força plástica, pelo samba e pela maneira criativa como levou um tema incomum para a Avenida.

Em 1998, a Viradouro tentou o bicampeonato com “Orfeu, o Negro do Carnaval”, de Joãosinho Trinta. O enredo aproximou o mito de Orfeu do morro, do samba e da tragédia urbana. A escola terminou em 4º lugar, em um ano que teve empate no título entre Beija-Flor e Mangueira. A colocação ficou abaixo da expectativa de parte do público, mas o desfile seguiu comentado pela ambição visual, pela força musical e pela leitura carnavalesca de uma história já associada ao teatro, ao cinema e à música brasileira.

Em 2001, a Beija-Flor apresentou “A Saga de Agotime, Maria Mineira Naê”, desenvolvido por Cid Carvalho, Fran Sérgio, Nelson Ricardo, Shangai e Ubiratan Silva. O enredo contou a trajetória de Nã Agotime, rainha africana ligada ao Daomé, escravizada e levada ao Brasil, onde sua história se relaciona à fundação da Casa das Minas, no Maranhão. A escola ficou em 2º lugar, meio ponto atrás da Imperatriz Leopoldinense, mas o desfile permanece como um dos mais lembrados da era Sambódromo.

Em 2004, a Unidos da Tijuca apresentou “O Sonho da Criação e a Criação do Sonho: a Arte da Ciência no Tempo do Impossível”, de Paulo Barros. A escola ficou em 2º lugar, atrás da Beija-Flor, mas provocou uma mudança importante no modo como o público passou a olhar para alegorias e componentes. O carro do DNA marcou o desfile porque os corpos dos integrantes faziam parte da cena, criando movimento, surpresa e impacto visual diante da arquibancada. A Unidos da Tijuca perdeu o campeonato, mas aquele desfile colocou Paulo Barros no centro do debate sobre invenção cênica na Sapucaí.

Em 2018, o Paraíso do Tuiuti apresentou “Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?”, de Jack Vasconcelos. O desfile discutiu a abolição, a ausência de reparação e as formas contemporâneas de exploração do trabalho no Brasil. A escola terminou em 2º lugar, apenas um décimo atrás da Beija-Flor. As alas dos manifestantes manipulados e a figura do presidente vampiro tiveram grande repercussão pública. O Tuiuti, que não costumava aparecer entre as favoritas ao título, passou a ocupar o centro das conversas daquele Carnaval.

Em 2020, a Grande Rio apresentou “Tata Londirá: o Canto do Caboclo no Quilombo de Caxias”, de Leonardo Bora e Gabriel Haddad. O enredo homenageou Joãozinho da Gomeia, babalorixá baiano ligado à história do candomblé, da cultura popular e da Baixada Fluminense. A escola empatou em pontos com a Viradouro, mas perdeu o título no critério de desempate em Evolução. O vice-campeonato reforçou a percepção de que a Grande Rio havia encontrado uma linguagem própria, ligada à pesquisa, à valorização de Caxias e à presença de referências afro-brasileiras na Avenida.

Em 2023, a Viradouro apresentou “Rosa Maria Egipcíaca”, de Tarcísio Zanon. O desfile contou a trajetória de Rosa Maria Egipcíaca, mulher negra escravizada que viveu no Brasil colonial e é reconhecida como a primeira mulher negra a escrever um livro no país. A escola ficou em 2º lugar, apenas um décimo atrás da Imperatriz Leopoldinense. A apresentação foi lembrada pelo acabamento visual, pela força histórica do enredo e pela escolha de uma personagem ainda pouco conhecida do grande público.

A apuração define a campeã de cada ano, com notas, critérios e desempates, mas o público continua avaliando sambas, imagens, enredos, soluções plásticas, escolhas estéticas e a resposta da Avenida. Por isso, muitos carnavais sem título seguem lembrados com a mesma intensidade de campeonatos. Eles ajudam a entender o Carnaval como disputa, criação artística, memória coletiva e conversa permanente entre escola, arquibancada e cidade.

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Campeãs do Carnaval carioca, 1932 a 2026

Consulte os resultados históricos, incluindo empates, campeonatos paralelos e anos sem julgamento.

Desde 1932, o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro consagra campeãs, alimenta rivalidades, guarda memórias e acompanha as transformações da festa. Esta linha do tempo percorre mais de nove décadas de Carnaval, da primeira vitória da Estação Primeira de Mangueira aos títulos mais recentes do Grupo Especial.

Ao longo desse percurso, escolas como Mangueira, Portela, Império Serrano, Salgueiro, Beija-Flor, Mocidade, Imperatriz, Viradouro, Grande Rio, Unidos da Tijuca, Vila Isabel e Estácio de Sá deixaram suas marcas na trajetória competitiva do Carnaval carioca.

Nem todos os anos, porém, seguiram o mesmo roteiro. Houve empates, campeonatos organizados por diferentes entidades, anos sem julgamento, interrupção pela pandemia e disputas que permanecem na memória dos torcedores. Em 1984, ano de inauguração do Sambódromo, Portela foi campeã do desfile de domingo e Mangueira, do desfile de segunda-feira. No Supercampeonato realizado no sábado seguinte, a Mangueira conquistou mais um título.

Linha do tempo das campeãs do Carnaval carioca

1932 a 2026

Década de 1930

  1. 1932Estação Primeira de Mangueira
  2. 1933Estação Primeira de Mangueira
  3. 1934
    • Estação Primeira de Mangueira
    • Recreio de Ramos
  4. 1935Portela, ainda chamada Vai Como Pode
  5. 1936Unidos da Tijuca
  6. 1937Vizinha Faladeira
  7. 1938Não houve apuração oficial
  8. 1939Portela

Década de 1940

  1. 1940Estação Primeira de Mangueira
  2. 1941Portela
  3. 1942Portela
  4. 1943Portela
  5. 1944Portela
  6. 1945Portela
  7. 1946Portela
  8. 1947Portela
  9. 1948Império Serrano
  10. 1949
    • Império Serrano
    • Estação Primeira de Mangueira
    vencedoras de desfiles organizados por diferentes entidades

Década de 1950

  1. 1950
    • Império Serrano
    • Estação Primeira de Mangueira
    • Prazer da Serrinha
    • Unidos da Capela
    vencedoras de desfiles organizados por diferentes entidades
  2. 1951
    • Portela
    • Império Serrano
    vencedoras de desfiles organizados por diferentes entidades
  3. 1952Não houve julgamento devido às fortes chuvas
  4. 1953Portela
  5. 1954Estação Primeira de Mangueira
  6. 1955Império Serrano
  7. 1956Império Serrano
  8. 1957Portela
  9. 1958Portela
  10. 1959Portela

Década de 1960

  1. 1960
    • Portela
    • Estação Primeira de Mangueira
    • Acadêmicos do Salgueiro
    • Unidos da Capela
    • Império Serrano
  2. 1961Estação Primeira de Mangueira
  3. 1962Portela
  4. 1963Acadêmicos do Salgueiro
  5. 1964Portela
  6. 1965Acadêmicos do Salgueiro
  7. 1966Portela
  8. 1967Estação Primeira de Mangueira
  9. 1968Estação Primeira de Mangueira
  10. 1969Acadêmicos do Salgueiro

Década de 1970

  1. 1970Portela
  2. 1971Acadêmicos do Salgueiro
  3. 1972Império Serrano
  4. 1973Estação Primeira de Mangueira
  5. 1974Acadêmicos do Salgueiro
  6. 1975Acadêmicos do Salgueiro
  7. 1976Beija-Flor de Nilópolis
  8. 1977Beija-Flor de Nilópolis
  9. 1978Beija-Flor de Nilópolis
  10. 1979Mocidade Independente de Padre Miguel

Década de 1980

  1. 1980
    • Beija-Flor de Nilópolis
    • Imperatriz Leopoldinense
    • Portela, empate triplo
  2. 1981Imperatriz Leopoldinense
  3. 1982Império Serrano
  4. 1983Beija-Flor de Nilópolis
  5. 1984
    • Portela, campeã do desfile de domingo
    • Mangueira, campeã do desfile de segunda-feira e Supercampeã
  6. 1985Mocidade Independente de Padre Miguel
  7. 1986Estação Primeira de Mangueira
  8. 1987Estação Primeira de Mangueira
  9. 1988Unidos de Vila Isabel
  10. 1989Imperatriz Leopoldinense

Década de 1990

  1. 1990Mocidade Independente de Padre Miguel
  2. 1991Mocidade Independente de Padre Miguel
  3. 1992Estácio de Sá
  4. 1993Acadêmicos do Salgueiro
  5. 1994Imperatriz Leopoldinense
  6. 1995Imperatriz Leopoldinense
  7. 1996Mocidade Independente de Padre Miguel
  8. 1997Unidos do Viradouro
  9. 1998
    • Estação Primeira de Mangueira
    • Beija-Flor de Nilópolis
  10. 1999Imperatriz Leopoldinense

Década de 2000

  1. 2000Imperatriz Leopoldinense
  2. 2001Imperatriz Leopoldinense
  3. 2002Estação Primeira de Mangueira
  4. 2003Beija-Flor de Nilópolis
  5. 2004Beija-Flor de Nilópolis
  6. 2005Beija-Flor de Nilópolis
  7. 2006Unidos de Vila Isabel
  8. 2007Beija-Flor de Nilópolis
  9. 2008Beija-Flor de Nilópolis
  10. 2009Acadêmicos do Salgueiro

Década de 2010

  1. 2010Unidos da Tijuca
  2. 2011Beija-Flor de Nilópolis
  3. 2012Unidos da Tijuca
  4. 2013Unidos de Vila Isabel
  5. 2014Unidos da Tijuca
  6. 2015Beija-Flor de Nilópolis
  7. 2016Estação Primeira de Mangueira
  8. 2017
    • Portela
    • Mocidade Independente de Padre Miguel
  9. 2018Beija-Flor de Nilópolis
  10. 2019Estação Primeira de Mangueira

Década de 2020

  1. 2020Unidos do Viradouro
  2. 2021Não houve desfile devido à pandemia de COVID-19
  3. 2022Acadêmicos do Grande Rio
  4. 2023Imperatriz Leopoldinense
  5. 2024Unidos do Viradouro
  6. 2025Beija-Flor de Nilópolis
  7. 2026Unidos do Viradouro
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